Depois de esgotarmos a madrugada, o sono era ainda um empecilho para tudo o que trazíamos guardado cá dentro, para tudo o que precisávamos de ser e de revelar. Existíamos em excesso e a sobra também é uma carência. Aos poucos, tornámo-nos insones, zombies sem memória, invulneráveis à raiva e à mágoa. Éramos pessoas "estragadas" e habituámo-nos a depender da anestesia da insónia para superar a acidez do dia. Invariavelmente, as nossas noites pintavam-se de branco e os nossos dias de cinzento-chumbo.
-Não faças isso!, ouço-me ainda gritar, - o colchão é demasiado grande para caber na janela e a cabeça demasiado frágil para ser atirada contra o chão...
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