Havia uma cidade (não muito distante em tempo e espaço da nossa) cujos habitantes eram pontos de interrogação. Cada um oferecia-se ou confrontava, em desespero, aqueles com quem se ia cruzando atrás de uma resposta. Inexplicavelmente, nenhum daqueles habitantes parecia entender que os outros eram apenas e tão só, também eles, perguntas para as quais, na cidade, não se achavam respostas.
Se um dos habitantes interpelava outro - "o que torna o ar mais pesado: as palavras que se disseram ou aquelas que se calaram?" - este piscava os olhos de incompreensão e retorquia, por sua vez: "qual o lugar das coisas que imaginámos ou idealizámos, mas que nunca chegaram a realizar-se?". "Porque é que a vontade é tão débil e o desejo é tão forte?" perguntava ainda outro, a quem o quisesse escutar.



