quinta-feira, 1 de novembro de 2012

ainda e sempre o tédio

"O seu sentimento aterrador de que nada do que fazia tinha importância. A sua percepção de que aquilo que se passava no mundo exterior tinha mais substância do que o que se passava na sua vida. [...] Não só o seu nome e as suas palavras, quando os via impressos, lhe pareciam ser os de outra pessoa, como era muito pouco o prazer que extraía de alguma coisa que escrevesse. Depois de as ter feito, as coisas fugiam-lhe das mãos: ficavam como que numa terra-de-ninguém: Neutras. Nada lhe diziam. Gostaria de poder orgulhar-se da sua pessoa, mas tudo o que conseguia era sentir-se culpado - culpado por não ter feito mais, ou melhor. [...]  Ele não via mais do que um vazio aterrador à sua frente, uma ausência de perspectivas onde deveria haver planos, e não trabalhava senão por impulsos".

(Lydia Davis, Notas para uma biografia de Wassilly in Contos Completos)

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