(fotografia tirada no museu de arte contemporânea em São Paulo)Com o passar dos anos, ele aprendeu que a felicidade é apenas uma miragem; que depois de chegar até ali, depois de atingir aquele ponto acolá mais adiante, depois de contornar a duna, depois de percorrer mais algumas centenas de metros, evitando ser picado por escorpiões - não lhe será ainda concedido beber a felicidade. Esta vai estar sempre um pouco mais além, um pouco mais para a direita ou para a esquerda, ou talvez em um ponto distante atrás das costas, mas nunca aqui, no lugar que ocupa. Com o passar dos anos, ele aprendeu que a tristeza não tem cura porque não é uma doença, é um modo de ser. Com o passar dos anos, ele aprendeu ainda que podia muito bem ser outra coisa qualquer, ter uma escada diferente para subir ou um deserto menos árido onde caminhar, que tal não faria qualquer diferença. Por isso, observa atentamente a escada e mede o esforço e o sacrifício necessários para a subir, do mesmo passo que intenta reunir a dose bastante de ilusão para encetar a escalada. O problema dele é conhecer desde já que a seguir a esta escada vai encontrar outra, e depois outra, e depois ainda mais outra - não as vê, mas adivinha que estão lá. Claro que ele sabe também que é imperioso subir esta escada, que ficar na base é igual a demitir-se da vida e, pelo menos para já, não é isso que deseja...