segunda-feira, 22 de junho de 2015

a realidade é inexorável, tem o peso daquilo que é



Estás sentado à minha frente, tão perto que quase posso acompanhar a tua respiração. Se esticasse o braço poderia afagar-te os caracóis do cabelo e se me inclinasse um pouco poderia murmurar-te ao ouvido como estou feliz por ver-te aqui, depois de tanto tempo. Em vez disso, amarro o meu braço com firmeza na cadeira: tenho medo que possa ganhar vida própria e escapar ao meu controlo. Respiro fundo, fecho os olhos e aperto com força a mão no braço de madeira. Os nós dos dedos tornam-se brancos e salientes. Aperto um pouco mais e ainda mais até sentir dor, uma dor física que me mantenha presa ao lugar e que amorteça a mágoa que não sei onde guardar. Sinto o peso de tudo o que não existe entre o meu braço e o teu cabelo, a minha boca e o teu ouvido. Não és meu e nunca serás.

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