segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

cartão postal


Há quem não goste muito. Há quem não goste mesmo nada e anseie apenas pelo momento em que a pausa de fim-de-semana permite fugir da cidade. Há quem se sinta prisioneiro entre os edifícios que tapam o céu e dentro do barulho, da poluição, do trânsito infernal que desespera o mais paciente, da tensão da violência que se adivinha por todo o lado.
Mas há também quem se deixe encantar pelas "flores de concreto" que crescem até ao branco acinzentado das nuvens a ameaçar uma chuva forte e se deixe seduzir pelo calor húmido que desperta os sentidos. Há quem não consiga viver longe dos estímulos culturais incontáveis, do luxo das lojas que exibem todas as marcas, nacionais e internacionais, do requinte presente na gastronomia diversificada, da arte de bem servir.
São Paulo tem a magia das grandes cidades. É uma espantosa criação do humano que o exibe em toda a sua mediocridade e em toda a sua riqueza. Tem a futilidade do luxo mais requintado, tem a criatividade (poética ou apenas excêntrica) das construções arquitectónicas e das personagens que povoam a cidade, tem o horror da miséria feita de pedaços de cartão a servir como tecto, tem a solidão no olhar dos que se distanciam em “paraísos artificiais” na tentativa de esquecer o lugar que o destino lhes reservou, tem a surpreendente distância daqueles que se acotovelam connosco no metro e nos passeios apinhados dos quais nada sabemos e nem ficamos a saber, tem a esperança da oportunidade. E tem ainda o mistério do que talvez se esconda na próxima esquina.
Parte-se com a certeza de que muito fica por descobrir. Por isso (ou melhor, também por isso), prometo voltar. Até à vista…

1 comentário:

  1. E convém que depois regresses de novo, porque fazes cá falta... :-)
    E a "Luxúria" repousa finalmente na minha mesa em frente a um Anjo, adivinham-se alguns efeitos colaterais na minha pessoa...
    Obrigada!

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