
"Oh, se eu não fizesse nada só por preguiça! Meu Deus, que respeito teria por mim. E teria esse respeito, precisamente, porque era capaz, pelo menos, de ter preguiça; haveria em mim pelo menos a certeza de uma característica definida. Se perguntassem de mim: quem é? E respondessem: um mandrião - isso ser-me-ia extremamente agardável de ouvir. [...] Nesse caso, seria membro de pleno direito de um clube de primeira e passava a vida a respeitar-me. [...] escolheria uma carreira de mandrião e glutão, mas não de um simples e corriqueiro mandrião e glutão, antes, por exemplo, de adepto de tudo o que é belo e sublime. [...] Não deixaria passar qualquer ocasião de verter, primeiro, uma lágrima no copo, e depois, de o emborcar em honra de tudo o que é belo e sublime."
(Fiódor Dostoiévski, "Cadernos do subterrâneo")
Sem comentários:
Enviar um comentário