segunda-feira, 30 de novembro de 2009

matar o urso


Comecei por contar-lhe o pesadelo que assombrara o meu sono da noite anterior, que também a envolvia. Alguém pretendia matar-nos e nós reuníamos esforços para impedir esse alguém de entrar no espaço onde estávamos. Sem sucesso: "alguém" acabava por conseguir forçar a entrada. Precipitava-se para ela primeiro, enquanto eu me desesperava perante a necessidade urgente de intervir e a incapacidade de mover-me, paralisada. Depois chegava a minha vez; fechava os olhos com força a antecipar a dor da última expiração... e acordava. (Incrível como nunca morremos durante um pesadelo, acordamos sempre no último momento, mesmo antes de a tragédia se consumar - com o coração aos pulos, mas vivos).
Foi então a vez de ela me contar que, em criança, tinha muitos pesadelos e um mais recorrente do que os outros em que se via perseguida por um urso. Quando acordava no meio de um desses, concentrava-se muito, determinada em inverter os papéis e matar ela mesma o urso durante o sonho seguinte. Ela assegura-me de que foi capaz de o fazer...

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