
O feminismo está fora de moda. É considerado coisa de mulheres que têm pêlo a mais e peso a menos (sim, nesse sentido que estão a pensar). Mas a verdade é que as mulheres continuam a precisar de ser protegidas - da comunidade em que se inserem, dos actuais ou ex companheiros e até de si próprias - de um modo especial. As notícias dos últimos dias são preocupantes. "Uma divorciada somali de 20 anos foi enterrada até à cintura e depois apedrejada até à morte por ter tido uma relação amorosa com um homem solteiro de 29 anos", narrava-se no jornal "Público" de uns dias atrás. O homem levou 100 chicotadas, a mulher foi apedrejada até à morte por ter sido considerada culpada de adultério. Fundamentalismo islâmico? Comunidades culturalmente distantes da nossa? Certamente, mas aqui bem perto de casa, em pleno século XXI, quando falar de emancipação feminina começa a entrar em desuso e se pensa ser um problema que pelo menos a geração anterior já deixou resolvido para nós, há mulheres que são espancadas e mortas pelo ser mais próximo, que era suposto cuidá-las. Sendo certo que a violência não as afecta apenas a elas, também se vira contra eles, elas continuam a ser as vítimas na larga maioria dos casos. Esta tragédia não é de hoje, mas a verdade é que o número de mortes aumentou e a idade das vítimas diminuiu. O que se passa com estas mulheres? Têm medo? Vergonha? Pouca ou nenhuma estima por si próprias? Porque esperam até ser tarde demais?

(fotografias de peça em exposição no museu de arte moderna de São Paulo)
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