quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

(a)normalidades

rapariga 1: Naquela direcção ficava a casa de um antigo namorado meu, lembras-te?
rapariga 2: Sim, lembro-me, um que era um bocadito anormal (riso)...
rapariga 1: Não muito mais do que os outros namorados que eu tive (mais riso). Todos com o seu quê de anormalidade bastante desenvolvido... Se calhar isso também não diz muito sobre mim: é que o denominador comum sou eu e não eles.
rapariga 2: Há tantos anormais que a probabilidade de se ter um relacionamento com pelo menos dois ou três por vida é extremamente elevada!
rapariga 1: Bom, então acho que o próximo vai ser normal (outra vez riso); é que eu já mais do que preenchi a minha quota.
rapariga 2: Infelizmente, não funciona assim. A probabilidade de continuares a encontrar anormais é extremamente elevada. O juízo, perigosamente subjectivo, continua a ser o teu. Se calhar para eles tu também eras anormal.
rapariga 1: Achas que eu não sou normal?
rapariga 2: Não és, seguramente, nenhuma louca que preencha os vários índices do catálogo de uma doença clinicamente identificada, mas eu encontro em ti várias coisas que não considero normais e se calhar o mesmo acontece contigo relativamente a mim. Por exemplo, para muitas pessoas é uma anormalidade assistir a uma peça de teatro que dure cinco horas. Tanto quanto para mim é uma aberração que alguém gaste tempo a assistir ao "ídolos" e pior que afirme fazê-lo porque ao Domingo à noite não há nada melhor para fazer. O que é um comportamento normal, aquele que a maioria segue? No jantar onde estávamos quatro de entre seis pessoas assistem com frequência ao "ídolos" ao Domingo à noite e apenas uma vai ao teatro com frequência; concluímos então que assistir ao programa televisivo é que é normal. Mas se nos inserirmos em outro grupo de pessoas que nem sequer conheçam ou só remotamente lhes seja familiar o nome do programa, então aí assistir a esse programa já não é normal. Também podemos fazer cálculos mais alargados à escala mundial e então assistir ao "ídolos" volta a ser normal e anormal não o fazer. Definitivamente eu não vou passar a fazê-lo e não me considero nem devo ser considerada anormal por causa disso. A (a)normalidade é relativa (este é sempre um bom adjectivo a empregar quando não se consegue ser suficientemente profundo na análise de uma questão ou ideia; ou também quando não se quer ofender alguém) e por isso é tão importante quebrar o círculo de normalidades que nos habituamos a conhecer... E olha, espero que encontremos rápido uma bomba de gasolina ou teremos de voltar para casa à boleia.
rapariga 1: O quê? Não acho normal que te tenhas esquecido de pôr gasolina no carro!

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