terça-feira, 29 de dezembro de 2009

jogo de espelhos



Um dia, vamos ter de parar de correr e de brincar com a vida. Vamos ser forçados a deter-nos diante do espelho e a deixar que a mirada se prolongue naquela figura, não completamente conhecida, que nos observa do lado de lá. Vamos ter de encarar as memórias desmaquilhadas, medir as rugas e a sombra escura que se esconde debaixo dos olhos, e decidir sobre o valor e o sentido do que fizemos até aqui. Como auxílio, podemos, em equilíbrio incerto, segurar numa mão, já mais cinzento do que vermelho-vivo, um coração e as amarguras que o picam e, na outra, um relance de sonhos impossíveis e uma centelha de ilusão.

Diz-se que a alma pesa apenas 21 gramas. Se a ilusão não tem peso e nem medida, qual o valor em quilogramas da amargura?

1 comentário:

  1. O espelho e as rugas... Um dia sei que vou acordar e, ao olhar nele, o mais dos terriveis tormentos em mim surgirá!! .. a minha juventude foi embora para sempre. E depois? Para que serve o espelho? Só para nos lembrar que os sonhos impossíveis acabaram...
    Ana

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