
Claro que todas as questões importantes para a sociedade devem ser objecto de intenso e aturado debate e todos os argumentos devem ser ouvidos e considerados. Mas, às vezes (muitas vezes), não me apetece nada ser uma boa ouvinte e, por isso, fica aqui registado que me irrita sobremaneira o sentimento de "ofensa" da Igreja Católica. Sabem que não é de casamento católico, mas sim civil, que se cuida, não sabem? Mais ainda, arrelia-me que se alegue pretenderem apenas os homossexuais aceder aos benefícios concedidos pelo Estado às famílias. Acaso um par heterossexual se casa apenas para aceder a tais benefícios? Se o casamento fosse sociológica e legalmente encarado como uma convenção destinada a servir interesses políticos e sociais até se podiam aceitar tais argumentos, mas julgo que, por regra, tal contrato se fundamenta em amor ou em sentimentos que se lhe abeiram.
Com surpresa, ouvi, recentemente, defender-se a inconstitucionalidade do casamento homossexual. E eu que, dentro do quadro jurídico onde por destino me vai cabendo navegar, estava crente da solução diametralmente oposta de que proibir ou dificultar tal união é que poderia ser considerado inconstitucional.
As sociedades evoluem. Hoje conhecemos a família com uma determinada configuração; porque não abrir espaço para que esta venha a assumir, no futuro, outras diferentes configurações? Porque temos sempre tanto medo da mudança?
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