
Agradavam-lhe sobretudo as cidades. Gostava de caminhá-las, sem relógio e sem destino, porque acreditava que ao acariciar as ruas com os seus pés (como a um amante com as suas mãos) fazia-as um pouco suas. Nunca entrava em museus ou monumentos, visitava apenas parques, cafés e estações de comboio porque era aí que as cidades desvendavam os seus segredos. Com os olhos procurava as coisas em que ninguém reparava, e com os dedos curiosos abria as caixas que os outros escolhiam deixar fechadas.
Nas cidades a vida é mais pequena
ResponderEliminarQue aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que nossos olhos nos podem dar.
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro