domingo, 31 de maio de 2009

sobre os sonhos


Por alguma razão desconhecida, os sonhos são matéria fugidia, evanescente. Basta um barulho da rua; um raio de luz indiscreta e abusiva da manhã; uma volta do corpo em desconforto na cama - e já se esfumou o sonho, insistente em demonstrar que não nos pertence. Por muito que se tente conciliar o sono e prosseguir o sonho a partir do momento em que foi interrompido é, quase sempre, escusado - aquele desfez-se em nada.
A "consistência dos sonhos" é uma exposição montada para retratar a vida e obra de José Saramago. Aí conta-se que o escritor marcou todos os relógios da sua casa em Lanzarote numa hora exacta: aquela em que conheceu Pilar. Contrariamente aos vatícinios então formulados pelos mais próximos, o sonho cumpriu-se e ganhou consistência, e a jornalista permanece até hoje a companheira fiel de um envelhecer feliz e extraordinariamente produtivo (lembro "a viagem do elefante", de uma rara ironia, divertida e inteligente).

2 comentários:

  1. Também quero que alguém marque a hora em que me conheceu... que coisa mais bonita!!
    Já tinha saudades de te ler!
    Bj

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  2. Eu não gosto nada quando estou a meio de um sonho e, por qualquer motivo, acordo. Mas o que eu não gosto mesmo é quando estou na melhor parte do sonho e alguém decide que deve acordar-me.

    Também gostava que alguém (especial) marcasse a hora em que me conheceu. =)

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