segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Voids"



Como todos os outros, o museu judeu de Berlim exibe factos e figuras, mas, muito além disso, a genialidade de Daniel Libeskind (arquitecto premiado que, em 1989, apresentou o projecto vencedor para a construção da nova estrutura do antigo "judisches museum", a qual foi exposta ao público em Setembro de 2001) criou espaços e estruturas capazes de despoletar no visitante emoções que o ligam ao sentimento de desorientação e instabilidade certamente experimentado por todo o judeu alemão expulso do seu país. Neste contexto, a pergunta escrita numa das paredes do museu é perturbante: "o que levarias tu contigo se tivesses de abandonar o teu país?"
"Voids" são cinco espaços vazios, que integram a estrutura do museu (situam-se na intersecção das linhas em zig-zag do edifício) e, segundo o seu autor, visam assinalar a ausência dos judeus da sociedade alemã. Cavernosos - feitos de cimento nu, sem ar-condicionado ou aquecimento, e sem luz artificial - erguem-se do solo até ao topo do edifício e oferecem ao visitante o vislumbre de humanidade reduzida a que são sujeitas as vítimas de perseguição. Em um desses "voids", o único, aliás, a que se pode aceder - os outros podem apenas ser vistos na parte superior do edifício por trás de paredes negras -, encontra-se a escultura em aço do artista israelita Menasche Kadishman, chamada "Shalechet" ("fallen leaves"). 10 000 figuras de rostos em aço, símbolo de seres humanos reduzidos a cinzas.

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