«Solidão de tarde de Agosto,ânsia moderada de veneno, pentotal para o tíbio horizonte morto. Passada já mais de uma hora desde que comecei a escrever esta Teoria, sinto chegada a hora de um breve descanso e cedo o lugar ao delírio. (...) Fiquei aqui sozinha e quieta, dentro da minha roupa branca. A tarde é plana. E há um beijo frio na janela. (...) Eu às vezes vejo isto, o que chamo a segunda máscara, mas não tenho ninguém com quem partilhar essa percepção, embora tenha Hamlet -sonho nele - e (...) um dia (...) serei já apenas roupa branca e olhar vazio num quarto de arrumações esquecido, o distante eco de uma mulher que num dia como hoje, numa tarde de Agosto como hoje, escreveu frases que nem sequer pensava, frases para assim poder descansar de um ensaio que não merecerá um único comentário de ninguém.»
Prefiro a curiosidade terna dos novos amantes. Prefiro os entardeceres felizes. Prefiro os pequenos-almoços demorados com doce de limão a barrar torradas. Prefiro os Domingos em que os meus sobrinhos também estão.Prefiro não guardar ressentimentos.Prefiro os cinemas fora de centros comerciais.Prefiro não ter de ir ao supermercado.Prefiro os amigos que não se intrometem na minha vida.Prefiro quem não se senta na autoridade do lugar-comum.Prefiro a ingenuidade dos sonhadores.Prefiro os que sabem estar em silêncio.Prefiro não ser trocada por mulheres mais feias.Prefiro a cortina vermelha do tnsj.Prefiro estar de partida.Prefiro acordar muito cedo (mas nunca consigo).Prefiro ter tempo para ler o jornal.Prefiro que se riam com gosto das minhas piadas. Prefiro o desconsolo dos lugares ao desconsolo das pessoas. Prefiro não ser trocada por mulheres mais bonitas.Prefiro que sintas a minha falta. Prefiro estar apaixonada. Prefiro ter um blogue. Prefiro que pensem que eu sou maluca; prefiro ser maluca. Prefiro ter segredos. Prefiro ser morena; prefiro ter sardas; prefiro ser eu.
«Solidão de tarde de Agosto,ânsia moderada de veneno, pentotal para o tíbio horizonte morto. Passada já mais de uma hora desde que comecei a escrever esta Teoria, sinto chegada a hora de um breve descanso e cedo o lugar ao delírio. (...) Fiquei aqui sozinha e quieta, dentro da minha roupa branca. A tarde é plana. E há um beijo frio na janela. (...) Eu às vezes vejo isto, o que chamo a segunda máscara, mas não tenho ninguém com quem partilhar essa percepção, embora tenha Hamlet -sonho nele - e (...) um dia (...) serei já apenas roupa branca e olhar vazio num quarto de arrumações esquecido, o distante eco de uma mulher que num dia como hoje, numa tarde de Agosto como hoje, escreveu frases que nem sequer pensava, frases para assim poder descansar de um ensaio que não merecerá um único comentário de ninguém.»
ResponderEliminarEnrique Vila-Matas, in «O Mal de Montano»