
Se eu ficar aqui, deitada, de olhos fechados, sem me mexer, ele vai voltar. Se sacrificarem a virgem, cairá uma chuva abundante. Se eu cumprir, repetidamente, alguns gestos simples, ele vai voltar…
Depois da morte do seu marido, a dor da perda é tão insuportavelmente forte que, na loucura da solidão, e mantendo embora uma sobriedade consciente e conformada perante familiares e amigos, ela confessa ter-se convencido de ser capaz de criar e cumprir rituais mágicos que trouxessem de volta o seu amor. Ela é Joan Didion, escritora norte-americana, que se nos dirige na primeira pessoa para confessar, num relato íntimo e despido de subterfúgios, a incapacidade, durante o ano posterior à morte do seu marido, para perceber e aceitar completamente a perda definitiva. Por isso escolheu chamar «o ano do pensamento mágico» ao texto que, entre muitos outros, escreveu com o objectivo de exorcizar a tristeza e a mágoa provocada pela morte do seu marido, John Dunne, primeiro, e da filha Quintana, pouco tempo depois.
Cabe a Eunice Muñoz encarnar em palco português a voz amargurada de Joan Didion. Infelizmente, é uma voz gasta e sem poder para, além da força mitológica que o seu nome adquiriu na cena teatral, cativar e prender a atenção do público, a que Eunice nos traz. Acresce que o palco do teatro São João é pouco adequado à intimidade do texto. Ainda assim, julgo que vale muito a pena assistir a este solo, «o ano do pensamento mágico», e deixarmo-nos comover pela descrição íntima e honesta da dor forte derivada da perda de um ente querido.
A propósito da saudade que sentimos na ausência de quem é especial...
ResponderEliminarE de um pensamento que só é verdadeiramente mágico se for capaz de o trazer de volta ...
http://www.youtube.com/watch?v=p17BlsbB9Gs&feature=related
Acho que tenho o "dom" de construir as imagens, de gostar ou não gostar apenas por um momento, por uma frase... aqueles instantes decisivos que nos fazem amar ou odiar!
ResponderEliminarGostei, pela noite, pela companhia, pela actriz, pelo imaginar da história, pelo cenário mutável como a própria vida e pela frase que me ficou "Amo-te mais do que apenas mais um dia..."