(escultura de Juan Muñoz, Serralves, Dezembro de 2008)Há coisas que não se dizem. Há coisas que não se dizem nunca. Há coisas que não se dizem, nunca, nem a brincar. Muito menos a sério. Há coisas que não se dizem. Há coisas que não se dizem, nunca. Nem que pulem, inquietas, na ponta da língua. Nem que estrangulem a garganta, deixando que passe apenas um quarto do ar necessário para respirar. Há coisas que não se dizem nunca. Nem que queimem as pontas dos dedos. Nem que se sentem em cima do estomâgo a roubar o sabor da comida. Nem que irritem a pele e nos obriguem a coçar, desesperadamente, a nuca. Há coisas que não se dizem. Há coisas que não se dizem. Há coisas que devemos varrer para debaixo de uma ponta da alma e deixá-las lá ficar, em silêncio. Há coisas que não se dizem, nunca, nem a brincar. Há coisas que não se dizem.
Esta era a única lição que ela se considerava incapaz de aprender
Não sei se essas "coisas" que não se dizem foram as minhas próprias palavras na mesa do nosso teatro...mas continuo a dizer que adora a tua escrita ;o)))
ResponderEliminarAna
Obrigada. Gosto de escrever e gosto que gostem do que escrevo.
ResponderEliminarAs "coisas que não se dizem" são as opiniões que ninguém pediu, mas não consigo travar dentro da garganta;)
beijinhos