"A Febre" incomoda porque nos faz sentir que os "maus" somos, afinal, todos nós.
"A Febre" é um texto do escritor e actor norte-americano, Wallace Shawn. Soberanamente interpretada por João Reis, esteve em cena, no teca, este fim-de-semana.

Esta fotografia foi tirada nas ruas de São Paulo. Eu estou sentada dentro de um jeep confortável, com ar condicionado e vidros semi-fumados. Ele está deitado na rua, exposto à indiscrição de todos os olhares. Lembro-me de ter hesitado em captar a imagem e de sentir pudor em invadir o repouso dele com a minha câmara. Acabo por escolher fotografá-lo: ele faz parte da cidade e eu quero uma reportagem completa. Ou ele garante à minha consciência que não me preocupo apenas em fotografar belezas e luxos, mas antes estou também atenta aos dramas e à miséria. Enquanto nós, dentro do carro, seguimos viagem e decidimos o restaurante onde vamos jantar nessa noite, ele fica guardado na memória digital...
Os moradores de rua são invisíveis aos olhares. São transparentes. Passa-se por eles normalmente com a mesma irrelevância que se passa pela porta fechada da loja na frente da qual dormem.
ResponderEliminar[d.]
Os moradores de rua não são invisiveis, desculpa mas não concordo. Para mim são o resultado mais evidente do nosso fracasso enquanto sociedade, enquanto pessoas e enquanto o meu próprio "eu"...
ResponderEliminarComo é triste...
Ana
Também não acho que são invisíveis ao olhar.
ResponderEliminarMuito pelo contrário: há uma história de vida que os levou até ali que nos intriga, que nos faz pensar e que tentamos adivinhar ...
Por isso eles prendem o nosso olhar.(São os pais, irmãos ou filhos de alguém.
Será que um dia podemos ser «nós»?
Bj Grd!
PS - Obrigada :) por nos fazeres pensar ...