
- ...e depois?
- ...depois, mais nada. Quando dei por mim, tinha chegado o tempo do silêncio.
- ...do silêncio?
- Sim, o tempo em que já não sobrava nada para dizer. Isto é, nada que pudesse interessar aos outros ouvir. Ou, pelo menos, nada que a mim me interessasse acrescentar.
- ...
- Sabes como o mundo está cheio de palavras inúteis, não sabes? As pessoas gastam o tempo e o espaço a contarem umas às outras coisas tão desnecessárias como: as poucas horas de sono que dormiram; os sonhos que tiveram; os detalhes da dieta que fazem; as aulas de ginástica que apreciam; as gracinhas dos seus filhos (e pior, dos filhos dos amigos); as dores que sentem; o número de horas que trabalharam... Julgam que isto as aproxima, mas não, afasta-as porque leva a que se fartem rapidamente umas das outras.
Pois, quando dei por mim, estava a dizer as últimas palavras e, na verdade, já nem essas importava ter dito.
- E quais foram essas últimas palavras?
- ... fecha a porta, quando saíres.
Todos experimentamos esta realidade. Vista de fora parece tão óbiva e ridícula.
ResponderEliminarJá agora, trabalhaste muito? :o)))