domingo, 28 de fevereiro de 2010

reflexões geométricas

(bauhaus - Berlim)

Era uma vez uma cidade entediada e maçadora, cujos habitantes não eram pessoas, mas sim figuras geométricas. Havia, essencialmente, nessa cidade entediada e maçadora, três tipos de habitantes geométricos: os círculos; os quadrados e os triângulos. Os círculos eram muito aborrecidos e desconcertantes porque giravam continuamente em torno de si próprios (como um cão que tente agarrrar o próprio rabo) sempre a queixar-se dos outros ou da sua sorte e, ciclicamente, de uma coisa ou do seu contrário. Os triângulos eram um pouco mais interessantes, mas incapazes de tomar uma decisão, sempre a hesitar entre os dois vértices opostos da respectiva base. Os quadrados, esses eram absolutamente insuportáveis; reuniam-se periodicamente e, armados com a sua lucidez patológica, julgavam resolver todos os problemas da cidade, reduzindo-os a um dos seus quadradinhos analíticos.
Se esta fosse uma estória de ficção haveria de aparecer, entretanto, um paralelipípedo glamoroso para salvar a cidade e libertar os poucos hexágonos que respiravam com dificuldade nas suas ruas geométricas. Mas esta é uma estória sobre tédio e, por isso, ninguém chega à cidade e nada acontece.

3 comentários:

  1. Enquanto o paralelepípedo oblíquo não chega, podemos imaginar que um dos quadrados se transforma em «cubo mágico» e distribui as suas cores pelos hexágonos. E que eles depois de coloridos começam a respirar melhor!
    PS - Vamos aproveitar para ficar com algumas cores para nós? Guardamos no bolso e usamos nos dias mais cinzentos ... :)

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  2. Gostei deste final: vou começar outra vez a brincar com o cubo mágico ;)

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  3. Eu tenho um ...!
    E os resultados são garantidos :)

    Bj grd!

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