quinta-feira, 1 de abril de 2010

avareza

(detalhe da pintura "Perfecto" de Allen Jones, Kunsthalle, Hamburgo, 2009)
Amealhava tardes de sol, sorrisos felizes e coxas de mulheres, com a avareza de um sobrevivente de guerra, angustiado perante a eventualidade de um futuro, esquelético de sorrisos e de coxas, feito de tardes de chuva solitária a escorregar pelas janelas de uma qualquer instituição de solidariedade social.

Morreu numa tarde de sol, ainda antes de festejar os cinquenta anos de idade. A conta bancária não tinha saldo suficiente para pagar um funeral condigno. Coxas de mulher, na cerimónia fúnebre, havia apenas duas: as da irmã mais nova e as da mulher-a-dias, que acabara por se afeiçoar às suas excentricidades.

1 comentário:

  1. Já dizia o ditado:

    «A avareza tira aos outros o que recusa a si própria» ...

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