
Ele trazia os bolsos repletos de ideias que se adivinhavam no sorriso feliz com que aquecia o ar à sua volta. Tirava uma ideia do bolso e oferecia-a a quem quer se cruzasse com ele. A si próprio, nunca se oferecia, precisava de se guardar para as suas ideias, explicava, às vezes, em conversas fugidias. Agradou-me imediatamente, quando o conheci, mas não pelas ideias que pousava à minha frente, na mesa do café. Foi por causa da camisola de riscas longitudinais azuis, que ele usava, naquela noite, e que me trazia Picasso à memória.
Não estou bem certa se nos interessamos pelas pessoas ou pelas coisas das pessoas, ou se às vezes é de uma maneira e de outras vezes é de outra. Mas sei que é bom agarrarmo-nos à matéria das coisas felizes...
Esta é uma pergunta muito interessante. Dizem as más línguas que as mulheres agarram-se à matéria e os homens às mulheres...
ResponderEliminarQuem não se interessar pelas "coisas" da outra pessoa, é um verdadeiro amante. Feliz daquele que for capaz de amar assim....amar puramente e genuinamente.
Bjinhos
Não pretendi dar à palavra "matéria" uma conotação pejorativa. As "coisas das pessoas" a que me quero referir não são a casa ou o carro, mas sim os livros que tenham em casa, as actividades a que se dedicam,a música que nos fizeram descobrir. Ou mesmo coisas indefinidas que nos reportam a outra coisa qualquer: uma memória do passado, uma ânsia do futuro. Até que ponto nos interessamos mesmo por uma pessoa ou pela órbita de coisas que esta traz acoplada e que nos movem ou emocionam, segundo o imaginário de cada um. Claro que, neste sentido, as coisas da pessoa fazem parte dela o que pode tornar a questão aparentemente inútil.
ResponderEliminarDesta vez,
ResponderEliminarreparei na data do teu texto que coincidiu com o Dia das Mentiras,
imaginei o café da imagem algures em Paris,
e lembrei-me do Museu de Picasso que visitei em Barcelona...
Um dos postais que trouxe de «recuerdo» tem esta citação de Pablo Picasso:
«A Arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade».
Sabias que dizem que foi em França que nasceu o Dia das Mentiras?
PS - Obrigada!:)
Por estes bocadinhos que dedico a ler os teus textos para «escapar ao tédio» de um pacto que alguém se lembrou de celebrar e que eu agora eu tenho que qualificar...
Não sei porquê, mas começo a gostar da ideia de «cada um por si», sem possibilidade de acordos ... :)
Obrigada eu pelos comentários que me fazem descobrir coisas novas :)
ResponderEliminarSabes o que mais me assusta nesta actividade a que nos dedicamos (tão cheia de classificações e qualificações e teorias): tornarmo-nos demasiado cerebrais...
É bem verdade! :)
ResponderEliminarE se reparares, o meu comentário já demonstra alguns indícios de loucura...
Bjs!