sexta-feira, 28 de agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

teorias sobre as cores #6

Ser verde é ser fresco e húmido; é ser a Primavera e tudo o que se pode desenvolver e prosperar.
Ser verde é ser jovem e imaturo.
Ser verde é ser o equilíbrio, o meio-termo; é ser alegre, sem cansar, correndo, porém, o risco de tornar-se aborrecido.
Ser verde é ser um monstro, uma serpente ou uma criatura mitológica que provoca medo; é ser veneno e ser inveja.

"c'est la vie"

No fim, quando a mágoa se instala, encolhemos os ombros, consolamo-nos com a banalidade de uma evidência - “é assim a vida” ou “amanhã é outro dia” - e seguimos viagem. É que a vida não pára, não espera que as lágrimas sequem, continua, imperturbável, em passos largos, zombeteiros…

domingo, 2 de agosto de 2009

teorias sobre as cores #5



De entre todas as cores que conhecemos, o azul é indicado como a cor preferida, aquela que reúne mais adeptos. É a cor dos bons sentimentos que não estão dominados pela paixão. É associado à fidelidade, à serenidade, à harmonia, à confiança e à fantasia, embora também à frieza, à distância e à passividade. É a cor das possibilidades infinitas...

Mas então porque nos repugna comer e beber coisas de cor azul?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

à janela



- ...mas se já te expliquei que não gosto de ti, ou melhor, não posso gostar de ti, talvez goste, não sei se gosto...
- sabes, o que eu amo mesmo é o amor, tanto me faz o objecto amado...


Quando, curiosa, voltei a cabeça, já não encontrei ninguém à janela.

Cheers...


...to all those who kept me company to drown the sorrows in one night out...
For in the end, it's always about us, girls, having one-too-many-drinks, setting off the show on the dance floor, laughing until it hurts and then coming back home - high heels in one hand, still singing out loud, last night a DJ saved my life

quarta-feira, 15 de julho de 2009

chuva #2 (o segredo dos dias de chuva)


No início, naquelas primeiras vezes em que os nossos corpos escolheram oferecer-se um ao outro sem nos pedirem licença, só sentia a tua falta nos dias de chuva. Há, definitivamente, qualquer coisa de muito enigmática na chuva: cai lá fora, mas rega por dentro a tornar mais férteis toda a espécie de emoções. Por isso, nunca estranhei sentir, nesses dias, a tua falta, atribuía-o sempre à chuva e não lhe dava qualquer importância. Depois, também nos dias de céu nublado, apercebi-me de que o meu cérebro, demasiado pressionado pelo cinzento, deixava que o meu corpo chamasse pelo teu. Baixinho, de forma discreta, mas ainda assim audível se lhe fosse prestada a devida atenção. Surpresa trouxe-me igualmente o azul-escuro do anoitecer (sabes, aquele tom perfeito que serve de requiem ao dia e nos faz pensar que o mundo é um lugar lindo) quando percebi o meu corpo entoar desconhecidas melodias de sedução. O pior chegou quando comecei a sentir também a tua falta nos dias animados pela luz e pelo calor. Começou por ser uma carência discreta, que apenas se insinuava medrosa contra o brilho do sol, mas pouco a pouco foi-se instalando até ouvir o meu corpo enraivecer-se contra o astro: como se atrevia a brilhar tão forte se tu não estavas lá. No fim, mesmo antes de teres decidido que o teu corpo não queria mais o meu, já não havia manhã ou tarde, frio ou calor. Sentia constantemente a tua falta. O meu corpo chamava tão ansioso pelo teu que não podia demorar-me pela rua, tinha de andar rápida e discreta e voltar breve para casa, por receio de que alguém se incomodasse com o barulho. Agora, nos dias de chuva – não daquela chuva miudinha que só arranha um pouco o cérebro e dá mais espaço à inquietude dos sentidos, mas da outra, aquela das bátegas pesadas, que levam na enxurrada todos os arquipélagos de paz e de silêncio – nunca me atrevo a sair. Tranco a porta de casa e apago as luzes na esperança de que os vizinhos e os passantes na rua julguem ter-se enganado ao ouvir o meu corpo gritar tão alto pelo teu.