
Até eu, pessimista por defeito e por feitio, que não acredito em seres humanos travestidos de super-heróis, que desconfio desta euforia de esperança feita de indefinições como "nova economia" e "transmitir a chama da liberdade aos nossos sucessores", que do "sonho americano" retive a imagem do meu avô emigrado a ocupar as horas longas e solitárias da reforma a criticar o sistema de saúde, que penso nas hipotecas por satisfazer e nos despojos de uma guerra - hoje, sem hesitação, qualificada por todos como injusta - por resolver, que me aflijo com a necessidade cega de nós, carneiros, termos um líder, até eu, dizia, sinto-me levada pela onda de emoção transmitida por um homem que já teve, pelo menos, o mérito de insuflar o optimismo da mudança, e, sem ter ainda bem a certeza, junto-me ao coro: yes, we can
yes, we can
yes, we can...
yes, we can
yes, we can...
Can we?
I hope you can ...
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