segunda-feira, 20 de julho de 2009

à janela



- ...mas se já te expliquei que não gosto de ti, ou melhor, não posso gostar de ti, talvez goste, não sei se gosto...
- sabes, o que eu amo mesmo é o amor, tanto me faz o objecto amado...


Quando, curiosa, voltei a cabeça, já não encontrei ninguém à janela.

Cheers...


...to all those who kept me company to drown the sorrows in one night out...
For in the end, it's always about us, girls, having one-too-many-drinks, setting off the show on the dance floor, laughing until it hurts and then coming back home - high heels in one hand, still singing out loud, last night a DJ saved my life

quarta-feira, 15 de julho de 2009

chuva #2 (o segredo dos dias de chuva)


No início, naquelas primeiras vezes em que os nossos corpos escolheram oferecer-se um ao outro sem nos pedirem licença, só sentia a tua falta nos dias de chuva. Há, definitivamente, qualquer coisa de muito enigmática na chuva: cai lá fora, mas rega por dentro a tornar mais férteis toda a espécie de emoções. Por isso, nunca estranhei sentir, nesses dias, a tua falta, atribuía-o sempre à chuva e não lhe dava qualquer importância. Depois, também nos dias de céu nublado, apercebi-me de que o meu cérebro, demasiado pressionado pelo cinzento, deixava que o meu corpo chamasse pelo teu. Baixinho, de forma discreta, mas ainda assim audível se lhe fosse prestada a devida atenção. Surpresa trouxe-me igualmente o azul-escuro do anoitecer (sabes, aquele tom perfeito que serve de requiem ao dia e nos faz pensar que o mundo é um lugar lindo) quando percebi o meu corpo entoar desconhecidas melodias de sedução. O pior chegou quando comecei a sentir também a tua falta nos dias animados pela luz e pelo calor. Começou por ser uma carência discreta, que apenas se insinuava medrosa contra o brilho do sol, mas pouco a pouco foi-se instalando até ouvir o meu corpo enraivecer-se contra o astro: como se atrevia a brilhar tão forte se tu não estavas lá. No fim, mesmo antes de teres decidido que o teu corpo não queria mais o meu, já não havia manhã ou tarde, frio ou calor. Sentia constantemente a tua falta. O meu corpo chamava tão ansioso pelo teu que não podia demorar-me pela rua, tinha de andar rápida e discreta e voltar breve para casa, por receio de que alguém se incomodasse com o barulho. Agora, nos dias de chuva – não daquela chuva miudinha que só arranha um pouco o cérebro e dá mais espaço à inquietude dos sentidos, mas da outra, aquela das bátegas pesadas, que levam na enxurrada todos os arquipélagos de paz e de silêncio – nunca me atrevo a sair. Tranco a porta de casa e apago as luzes na esperança de que os vizinhos e os passantes na rua julguem ter-se enganado ao ouvir o meu corpo gritar tão alto pelo teu.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

chuva #1




"A chuva vem de cima
correm
como se viesse atrás"

(Paulo Leminsky)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

a warning


You and me
Billy Wilder and Cary Grant
a red blanket and a rainy day
a french poem and a noisy phone
a nice pasta and a great wine
a flirting line (can't think of anything better to do on a Sunday than preparing you dinner) and a warning: don't go thinking that I'm a nice girl...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Voids"



Como todos os outros, o museu judeu de Berlim exibe factos e figuras, mas, muito além disso, a genialidade de Daniel Libeskind (arquitecto premiado que, em 1989, apresentou o projecto vencedor para a construção da nova estrutura do antigo "judisches museum", a qual foi exposta ao público em Setembro de 2001) criou espaços e estruturas capazes de despoletar no visitante emoções que o ligam ao sentimento de desorientação e instabilidade certamente experimentado por todo o judeu alemão expulso do seu país. Neste contexto, a pergunta escrita numa das paredes do museu é perturbante: "o que levarias tu contigo se tivesses de abandonar o teu país?"
"Voids" são cinco espaços vazios, que integram a estrutura do museu (situam-se na intersecção das linhas em zig-zag do edifício) e, segundo o seu autor, visam assinalar a ausência dos judeus da sociedade alemã. Cavernosos - feitos de cimento nu, sem ar-condicionado ou aquecimento, e sem luz artificial - erguem-se do solo até ao topo do edifício e oferecem ao visitante o vislumbre de humanidade reduzida a que são sujeitas as vítimas de perseguição. Em um desses "voids", o único, aliás, a que se pode aceder - os outros podem apenas ser vistos na parte superior do edifício por trás de paredes negras -, encontra-se a escultura em aço do artista israelita Menasche Kadishman, chamada "Shalechet" ("fallen leaves"). 10 000 figuras de rostos em aço, símbolo de seres humanos reduzidos a cinzas.

"I get lonely..."



"... but I ain't that lonely yet"
(ouvir)