domingo, 26 de abril de 2009

Os nomes e as coisas: dar nomes às coisas ou "dar coisas aos nomes"

Tanto quanto me tinha sido dado a entender o correspondente ao «Lux» de Lisboa seria, aqui, um sítio chamado «Uebel & Gefährlich», isso mesmo «sinistro e perigoso». Uma vez que a discoteca está instalada num edifício construído durante a 2.ª guerra mundial, pelo terceiro Reich, com o objectivo de servir de abrigo e constituir um escudo protector de ataques aéreos - um portentoso bloco de cimento chamado Flakturm IV -, a respectiva visita ficava também justificada por um motivo de interesse turístico. Reunida a necessária motivação (sobretudo histórica e cultural, evidentemente), no Sábado à noite lá fui eu visitar este edifício assustador com um nome premonitório. À conta de dois DJs que tratariam de animar o sítio paguei logo 20 € de entrada, sem direito a bebida, e ainda recebi na pele um daqueles carimbos inestéticos que irritam muito até finalmente desaparecerem à 12ª lavagem. Para se chegar ao espaço da discoteca há que subir vários lanços de escadas cujo estilo «bunker» ninguém se preocupou em disfarçar. As escadas, em caracol, são altamente gefärlich para quem se aventurar além do respectivo limiar mínimo de embriaguez, ou para a donzela, não foi o meu caso, que quiser exibir o desequilíbrio de uns sapatos altos. A música escolhida pelos DJs - que mais pareciam dois excessivamente conscienciosos estudantes universitários (acho que o nome técnico é "nerd") de rosto muito pálido a combinar com as t-shirts igualmente pálidas - não era má, para quem aprecie o género. Vista de cima, a zona de pista era um pouco uebel (sinistra): não se percebia qualquer movimento ondulante da massa de gente, as pessoas estavam de pé, copo na mão, em modo parado. Claro que, em Portugal, nem sempre encontramos bailarinos por demais habilidosos: dançam, essencialmente, as mulheres e os elementos masculinos não vão, regra geral, muito além de exprimir tremedeira numa das pernas e, quando já um pouco embriagados, lá arriscam um passo binário sem sair do lugar. Mas aqui, salvo um pequeno espaço em frente ao palco dos DJs, não dançava ninguém e, pior, alguns aproveitavam mesmo uma espécie de degraus para se sentarem no meio do que seria uma pista de dança. Em resumo: «uebel und gefährlich». E nada como o rigor e a precisão germânica quando é preciso dar nomes às coisas.

1 comentário:

  1. A descrição não me deixou muitas dúvidas... é um daqueles sítios que não vou ficar com pena se não conhecer. Foste bastante elucidativa... e pessoas pálidas que não dançam?!!
    Bem, eu queria mesmo uma musiquinha como a de sexta... e vá, até podia ter o número exorbitante de loiras "platinadas", blazers brilhantes e uma dança estilo "Ne-yo"...
    Antes isso que nerds pálidos e sem ritmo :-)

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