(bauhaus - Berlim)Era uma vez uma cidade entediada e maçadora, cujos habitantes não eram pessoas, mas sim figuras geométricas. Havia, essencialmente, nessa cidade entediada e maçadora, três tipos de habitantes geométricos: os círculos; os quadrados e os triângulos. Os círculos eram muito aborrecidos e desconcertantes porque giravam continuamente em torno de si próprios (como um cão que tente agarrrar o próprio rabo) sempre a queixar-se dos outros ou da sua sorte e, ciclicamente, de uma coisa ou do seu contrário. Os triângulos eram um pouco mais interessantes, mas incapazes de tomar uma decisão, sempre a hesitar entre os dois vértices opostos da respectiva base. Os quadrados, esses eram absolutamente insuportáveis; reuniam-se periodicamente e, armados com a sua lucidez patológica, julgavam resolver todos os problemas da cidade, reduzindo-os a um dos seus quadradinhos analíticos.
Se esta fosse uma estória de ficção haveria de aparecer, entretanto, um paralelipípedo glamoroso para salvar a cidade e libertar os poucos hexágonos que respiravam com dificuldade nas suas ruas geométricas. Mas esta é uma estória sobre tédio e, por isso, ninguém chega à cidade e nada acontece.




