sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Confissões a A. [ao telefone, de madrugada]


– O meu desejo, o meu sonho, era o de que vivêssemos como caçadores de experiências, como vagabundos [ou “flâneurs” – o francês é sempre mais chique], desacorrentados de uma «carreira» que, no máximo, ao fim de três anos se tornou entediante e apagou a capacidade de criar e também de uma «relação estável», que corrói aos poucos, na monotonia de um quotidiano destruidor da vontade e da sabedoria de surpreender.
... Que pudéssemos, simplesmente, partir, viajar pelo mundo fora, criando laços e trocando afectos, em espaços únicos de uma intimidade plena...
... Que pudéssemos fintar o destino e saltar do sossego do tédio, sempre que a vontade ansiosa assim o decidisse, sem medo de perder coisas tão preciosas como: o tempo; o dinheiro; ou uma qualquer amaldiçoada serenidade...

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