
Quando descobri o jardim, chovia uma chuva leve, que não vinha de lugar nenhum. Toldava-me a visão, mas intensificava os cheiros. Foi assim que te encontrei. Empurrei a custo um portão pesado, atravessei o labirinto de flores e arbustos, com cuidado analítico, e cheguei ao pé de ti. Deixei-me ficar muitos instantes só a olhar para ti.
Depois, quando decidi prosseguir até ao limite do jardim e empurrar o outro portão de ferro (que eu sei que existe, lá ao fundo), ouvi-te estas palavras condescendentes: tens medo de ser feliz. Não, não é isso. Do que eu tenho medo é de morrer neste jardim e de ficar aqui enterrada para sempre. Podia jurar que vislumbrei uma lápide com o meu nome inscrito, à entrada, do lado direito...
Quero ir, aonde não vou
ResponderEliminarPorque só quero estar, aonde não estou ...
António Variações, in ...