sábado, 27 de dezembro de 2008

sabes, não sou eu que sou louca...



- Tu és uma miúda difícil!
- Tu aborreces-te por coisas com as quais ninguém que eu conheça se aborrece!
- Tens que moderar esse hábito de usar palavras tão cruas. Ninguém quer esse tipo de sinceridade.
- Tu és muito exigente.
- És demasiado esperta e, às vezes, a ingenuidade é um privilégio.
- Tens prazer em discutir, só podes.
- Tu és completamente maluca!

Não, não sou...

Eu sei, queriam-me fácil, quotidiana, habituada, adaptável aos vossos gostos, interesses e horários. Que me risse das vossas piadas, que me comovesse com os vossos problemas, que não tivesse insónias, que não chorasse a despropósito, que não partisse a meio da noite sem dizer até amanhã, que fechasse os olhos às mentiras, às incoerências, às deslealdades, às imbecilidades e à falta de ideias ou à falta de outra coisa qualquer que nunca vai lá estar.
Acreditem, se eu fosse uma pessoa diferente, a sério, "se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinh[a] para o diabo! Para que havemos de ir juntos?" (as palavras finais são de Álvaro de Campos, in Lisbon Revisited)

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