
O espelho devolve-me uma imagem de força, segurança e dinamismo na figura de um homem ainda suficientemente jovem e elegante para satisfazer a pressão social da imagem.
Forço-me a manter o olhar nessa imagem, nesse homem. Luto com aquele momento de estranheza, sempre algo dolorosa, em que efectivamente nos confrontamos com o nosso reflexo na superfície lisa e percebemos que aquele outro, somos nós.
Detenho-me no olhar cansado e nas marcas negras que o tornam mais sombrio e distante (enigmático, dizem-me elas, quando me oferecem os lábios generosos, num sorriso). Detenho-me na ruga ao cimo do nariz; na marca da ferida mal tratada aos dezasseis anos; orgulho-me da boa forma física.
Fecho os olhos. Deixo de olhar. Não sou capaz de me confrontar com a falha inconfessável, impossível de assumir.
Depois de esgotadas as desculpas do cansaço físico, do excesso de preocupações, da bebida, a crueldade do desespero na resposta ao silêncio dela: «a culpa é tua; só pode ser tua; só me acontece isto contigo»… Ambos sabemos que não é verdade.
Forço-me a manter o olhar nessa imagem, nesse homem. Luto com aquele momento de estranheza, sempre algo dolorosa, em que efectivamente nos confrontamos com o nosso reflexo na superfície lisa e percebemos que aquele outro, somos nós.
Detenho-me no olhar cansado e nas marcas negras que o tornam mais sombrio e distante (enigmático, dizem-me elas, quando me oferecem os lábios generosos, num sorriso). Detenho-me na ruga ao cimo do nariz; na marca da ferida mal tratada aos dezasseis anos; orgulho-me da boa forma física.
Fecho os olhos. Deixo de olhar. Não sou capaz de me confrontar com a falha inconfessável, impossível de assumir.
Depois de esgotadas as desculpas do cansaço físico, do excesso de preocupações, da bebida, a crueldade do desespero na resposta ao silêncio dela: «a culpa é tua; só pode ser tua; só me acontece isto contigo»… Ambos sabemos que não é verdade.
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