sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A ervilha

- Desculpa, mas não dá. Sinto-me como uma ervilha, encostada, ao abrigo do vento.
Um olhar entre o arreliado e o surpreendido. Eu referia-me à «tisana» n.º 15 da Ana Hatherly [Era uma vez duas ervilhas que estavam encostadas uma à outra porque nesse dia estava muito vento e estando elas cansadas de rolar desejavam ficar onde estavam. Por isso se encostavam uma à outra fazendo muita força para não se separarem. Nesse momento passou um mergulhão.], mas ele não podia saber. Talvez por passar demasiado tempo sozinha, falava mais para mim do que para os outros. Por isso não percebiam o que eu dizia. Eles gostavam disso. Achavam-me enigmática. Mas não era verdade. Eu era simplesmente presunçosa.

1 comentário:

  1. "Excelência. É tudo o que é preciso. Nada mais é pouco. Tudo mais é excessivo."
    Não consegui que fosse o Nº 5, como o Chanel, mas um tudo-nada acima.
    Digamos que se trata de um toque "pinteriano" de começar pelo fim... Vamos lá chegar! ;-)

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