
Ele não se importava que os outros aproveitassem aquilo que ele tinha deixado para trás. Depois de ter criado alguma coisa, desprendia-se dela como se nunca lhe tivesse pertencido. Assim que julgava ter aprendido a executar uma tarefa devidamente, começava logo um outro processo de aprendizagem novo sem querer, de nenhum modo, lucrar com o anterior. Os empregos sucediam-se breves uns atrás dos outros. Quanto às mulheres, mal as percebesse submetidas aos seus encantos e moldadas ao seu modo de ser e de estar nas coisas e no mundo, abandonava-as, devagarinho para que não sofressem, mas sem se despedir com gestos inúteis de desculpas medíocres. Há muito tempo atrás tinha decidido para si próprio que a vida não tinha qualquer sentido (considerava, aliás, espantoso que alguém se afadigasse em torno deste). Vivia, por isso, à procura. E era feliz, porque não ambicionava encontrar nada.
Um dia...
ResponderEliminar"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara."
Um beijo com a assinatura de Álvaro de Campos
"... contempló su imagen en el espejo de la galería de esgrima. (...) Se pasó la mano por el cabello blanco. No se arrepentía de haber vivido; había amado y había matado, jamás emprendió nada que deshonrase el concepto que tenía de sí mismo; atesoraba recuerdos suficientes para justificar su vida, aunque constituyesen éstos el único patrimonio de que disponía... Lamentaba únicamente no tener (...) alguien a quien legar sus armas cuando muriese. (...) Y nadie colocaría un florete sobre su tumba."
ResponderEliminarEl maestro de esgrima, de Arturo Pérez-Reverte