segunda-feira, 23 de março de 2009

«suspension of disbelief»

A voz «off» avisa-me: "atenção, isto é falso!"; "cuidado, isto é ilusão". Eu sacudo a voz, porque escusada, tenho fortemente inscrito na memória o legado do que deixei para trás. Apesar de tudo, a cada novo "encontro", a cada nova história, há sempre um instante distraído em que o vento abre uma porta qualquer que afinal deixei mal fechada. Há sempre um instante em que, por força da ternura de um gesto ou da intimidade de uma declaração, dou por mim a suspender a incredulidade, a confiar na ficção e a largar o controlo das emoções. Choro e rio sem sentido, e predisponho-me a confiar na fita que se desenrola perante os meus olhos e dentro de mim, crente na ilusão. No cinema ninguém morre. Quando a ficção termina todos se levantam e voltam para casa. Desfeita a ilusão, eu faço mesmo, agarro outra vez na minha incredulidade e volto para casa.


1 comentário:

  1. «Everywhere everywhere everywhere
    It's all so plain it's all a plan
    The sky doesn't ever end
    The air just gets much thinner further up
    You could keep diggin' down and down
    A thousand graves down without turnin'
    Around or finding hell
    You find you're digging up again
    Everywhere everywhere everywhere
    Willful suspension of disbelief»

    Modest Mouse, in «Willful Suspension Of Disbelief»

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