sábado, 7 de março de 2009

remake

A impressão que eu tinha era a de que ainda existiam os artistas, mas já não existia a obra de arte, a criação. Tudo era remake, retake, adaptação de outra coisa qualquer; tudo era "feito com base em" ou "a partir de" ou homenagem a alguém que gostava de se ter sido, mas não, por isso só restava falar sobre ou imitar. Tinha ainda a impressão de que não era por falta de vontade que tal acontecia, mas antes por impossibilidade: tudo havia sido já dito, tudo havia sido já feito. O pior, é que este estado de coisas também caracterizava a vida real, que era feita de ciclos repetidos de dias iguais e de sentimentos alternados. Tudo era lembrança de outra coisa qualquer (e a memória, que é um lugar tão estranho).
Além disto, havia também a sensação permanente de incompletude, de que tudo estava ainda por dizer. E por fazer.

2 comentários:

  1. Fazemos diariamente um exercício inconsciente em que associamos a nós ou às vivências dos outros, as marcas que temos da experiência e com isso parece que nunca avançamos, embora tudo esteja tão diferente hoje... nós próprios!
    Não adiantam as discussões calorosas, os rompimentos, fica sempre a sensação permanente de incompletude, de que tudo estava ainda por dizer, quanto mais não seja, porque com a mudança de circunstâncias da Vida, o que hoje é amargo, amanhã pode ser doce... será sempre uma questão de perspectiva!
    Feliz Dia da Mulher!!

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  2. Mas não tenhamos dúvidas. Tudo por nós vivido é um remake ou quase remake do que ao nosso lado vai acontecendo com um amigo, vizinho, colega de profissão... ou mesmo de uma personagem de uma pirosa novela.

    Realmente pode mudar a perpectiva da coisa,mas a essencia é a mesma.

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