
Recentemente, tive o prazer de me cruzar com a genialidade de Josef Albers nas paredes paulistas da Pinacoteca do Estado e do Instituto Tomie Ohtake. À primeira vista distraída do turista de museu trata-se apenas de pinturas com três ou quatro quadrados de cores, inscritos uns dentro dos outros. À segunda vista, ainda distraída, percebe-se uma ligeira assimetria dos quadrados a tornar mais estreito o limite inferior do quadro. A terceira vista, já menos distraída, desvenda a intencionalidade subjacente às estruturas quadrangulares. Entre 1950 e 1976, Albers dedicou-se obsessivamente a pintar quadrados com o objectivo de evidenciar as diferentes emoções que as cores provocam e o modo como interagem entre si. Porquê a escolha de quadrados? Porque são estruturas estáveis, simples e criação humana, que permitem excluir outras associações visuais diferentes da cor. Porquê a ligeira assimetria? Porque esta produz uma compressão para baixo (o comum e ordinário, a base), e uma expansão para cima (vastidão, pensamento). A “homenagem ao quadrado” constitui uma arte reduzida ao mínimo essencial, mas que contém enorme complexidade, a sugerir várias possibilidades e a revelar a reflexão prévia de um génio rigoroso e preciso na utilização da cor e da luz, que optou por um perfeccionismo laborioso de variações sobre um mesmo tema.
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